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sábado, 28 de julho de 2012

Ausência!, minha doce fuga!

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Homem vulgar! Homem de coração mesquinho!
Eu te quero ensinar a arte sublime de rir.
Dobra essa orelha grosseira, e escuta
o ritmo e o som da minha gargalhada:
Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah!



_
Poema: "Gargalhada" de Cecília Meireles, cit. in http://www.citador.pt

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sombras no rio

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... em tempo de "apagões" anunciados, ficam-nos os rios (nem que sejam de sons das palavras) e os poemas ... e os poetas e, sobretudo ... a vida!, que corre como um rio ... por vezes sombrio! (Quanto à tecnologia - a ponte propriamente dita - nada a declarar sobre os seus mais de 1.900 anos de vida ...).




Som
frio.

Rio
sombrio.


O longo som
do rio
frio.

O frio
bom
do longo rio.

Tão longe
tão bom,
tão frio
o claro som
do rio
sombrio!







(e o desafio continua ...)



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Foto: F.Reis(c)2010
Local: Chaves, Ponte de Trajano, sobre o rio Tâmega
Poema: "Rio na Sombra" de Cecília Meireles in OU ISTO OU AQUILO

Nota:. lê-se no "banner" deste blogue: ou isto ou aquilo - poemas de Cecília Meirelles musicados por Luís Pedro Fonseca e cantados por Lena d'Água em 1992 - as guitarras são do Mário Delgado.

De facto, é um bónus extra clicar nos títulos dos poemas e poder ouvir o som das palavras na voz de Lena d'Água.

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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Inscrição

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(...)

E por isso levito.
É bom deixar
um pouco de ternura e encanto indiferente
de herança, em cada lugar.

Rastro de flor e estrela,
nuvem e mar.
Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido:
a sombra é que vai devagar.





Nota:. Este post é totalmente dedicado à minha amiga transcontinental, Lisete Costa que se vai ausentar da rede por uns tempos. Vou sentir falta da sua companhia e faço já a minha inscrição para o regresso do flor-de-lis ao activo. Que seja breve.




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Foto: F.Reis(c)2011
Local: Bendafé
Poema: "Inscrição" de Cecília Meireles in Poesias Completas, Volume II, Mar Absoluto e outros poemas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1976, 2ª ed., p. 83. cit. in SIMPLICISSIMO
-

terça-feira, 27 de abril de 2010

[DES] [HU] [MA] [NI] [DA] [DE] [S]

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Sagrado Coração de Jesus, Santuário de Fátima


Este post é uma homenagem para Hugo Alfredo, o homem que morreu na rua (pouco ou nada me importa onde foi - podia ter sido num qualquer aqui) perante a indiferença dos outros vinte e cinco que passaram e testemunharam a sua agonia, como relata esta notícia.


Uma imagem do maior coração que se aceita existir e um poema sobre a vida.



Pergunto-te Onde se Acha a Minha Vida


Pergunto-te onde se acha a minha vida.
Em que dia fui eu. Que hora existiu formada
de uma verdade minha bem possuída.

Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.

E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida
por esperanças hereditárias? E de cada
pergunta minha vai nascendo a sombra imensa
que envolve a posição dos olhos de quem pensa.

Já não sei mais a diferença
de ti, de mim, da coisa perguntada,
do silêncio da coisa irrespondida.


Cecília Meireles, in "Poemas (1942-1959), retirado de O Citador



Fica para reflexão a pergunta: Que tempos são estes?

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