terça-feira, 23 de março de 2010

VOU VENDO O QUE O RIO FAZ

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Pass(e)ante observando o Rio Tâmega do alto da Ponte de Trajano em Chaves


Já andava há muito tempo com partes deste poema aqui de baixo aos saltos na cabeça e só hoje se proporcionou a captura de uma imagem simbolicamente condigna, pelo menos para mim.

É mais uma homenagem?

Só se for ao Tâmega e aos verdadeiros tamagani (ou tamaganos).



Na ribeira deste rio
Ou na ribeira daquele
Passam meus dias a fio.
(...)

Vou vendo o que o rio faz
Quando o rio não faz nada.
Vejo os rastros que ele traz,
Numa sequência arrastada,
Do que ficou para trás.

Vou vendo e vou meditando,
Não bem no rio que passa
Mas só no que estou pensando,
Porque o bem dele é que faça
Eu não ver que vai passando.

Vou na ribeira do rio
Que está aqui ou ali,
E do seu curso me fio,
Porque, se o vi ou não vi.
Ele passa e eu confio.


Poema "Na Ribeira deste Rio" de Fernando Pessoa, em 02/10/1933



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Fonte onde "encontrei" o poema de onde omiti, propositadamente, duas pequenas frases.
Fonte para o significado de tamagani ou tamaganos.
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Nota:. foi efectuada uma correcção posteriormente. Obrigado tupamaro.

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3 comentários:

Anónimo disse...

Anónimo disse...
Bem sabemos que quando se escreve no teclado as falhas são mais ligeiras a acontecer.
E como o autor é uma autoridade Cultural....
Num Blogue interessante, e ainda por cima FLAVIENSE, HÁ que ser mais cuidadoso com os lapsos gramaticais - """"Já andava HÁ muito tempo..."""""
Com apreço
Tupamaro

Fernando Reis disse...

Obrigado pela correcção.

Não há desculpas para esta falha.

Fernando Reis disse...

Ah, é claro ... obrigado também por acompanhar mais este blogue que se afirma, acima de tudo, flaviense e com muito prazer.

(essa da autoridade cultural é que ainda terá que se lhe diga ... cada um faz o que pode e sabe, com o que tem. É a minha versão de liberdade)

Obrigado, uma vez mais.

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