terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CABRILLO, PELOURINHO E AFONSO

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E enquanto o divino (Sol) se mostrava bem no alto do seu celeste poleiro ainda houve tempo para ir ver a estátua do descobridor barrosão (João Rodrigues Cabrillo) e o pelourinho, onde me lembrei de um poeta.



Do primeiro não há dúvidas que, ao serviço da coroa espanhola, efectuou importantes explorações marítimas no Oceano Pacífico (costa Oeste dos actuais EUA) e terrestres na América do Norte e, no mês de Junho de 1542, largou amarras de Navidade, na costa Oeste do México, navegando para o Norte, e três meses depois alcançou a Baia de San Diego, tornando-se o primeiro europeu a desembarcar no que é actualmente o Estado da Califórnia.



Do segundo, diz-se que é "(...) de arquitectura revivalista, com três degraus, um plinto paralelepipédico e um capitel tipo tabuleiro quadrangular. Apresenta um brasão com as armas de Portugal e, na face posterior, uma cruz pátea num círculo. (...)". Certo mesmo é que se situa no centro Histórico de Montalegre, junto ao Castelo e é o símbolo que representa, desde sempre, o poder e a justiça.


E estes trzem-me à memória o terceiro, o barrosão Artur Maria Afonso, poeta e pai de Lereno, Fátima e Nadir - o tal Afonso que se "distribui" pelas artes e que conhecemos mais por pintor. É da sua (do pai, claro) pena, em forma de poesia, o relato do último enforcado em Montalegre, do qual realço o gesto de coragem final.


"(...)

Mas agora leitor fica varado
Com aquilo que a crónica nos diz:
No dia antes de ser enforcado
- O preso não fugiu porque não quis!

Foi enorme a canseira na cadeia
Com os trabalhos da execução.
E tudo adormeceu depois da ceia
Ficando livre a porta da prisão!

Não dormia o Vagueiro nessa hora.
E, encontrando a porta destrancada,
Desceu pelas escadas, saiu fora
Olhar sua forca levantada!

À porta a sentinela adormecera!
Em volta paz. A rua sossegada.
O Vagueiro passeou e recolhera
Estoicamente à tétrica morada!

Alguém que soube do que se passara
Interrogou-o por não ter fugido.
E, calmo respondeu: (coragem rara)
-não fugi p'ra não mais ser perseguido!

(...)"




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Fotos: F.Reis(c)2011
Local: Montalegre
Texto: Recolhi alguma informação em diversas fontes, nomeadamente:

+ WIKIPEDIA
+ CÂMARA MUNICIPAL DE MONTALEGRE
+ JORNAL NOTÍCIAS DO DOURO
+ JORNAL NETBILA

Poema: "O Vagueiro" de Artur Maria Afonso cit. in NOTÍCIAS DO DOURO

Aconselho também uma vista de olhos demorada sobre Artur Maria Afonso e a sua obra, começando pela homenagem que "encontrei" no blogue CHAVES de Fernando Ribeiro


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3 comentários:

João Menéres disse...

Nem conhecia o pelourinho, nem a veia poética do Nadir !
E a história é verdadeira ?
A resposta dada pelo condenado é muito sábia e estóica.

Um abraço agradecido.

Fernando Reis disse...

JOÃO: É tudo deliciosamente verdadeiro ... tanto a história do último enforcado como a veia poética do pai do Nadir Afonso - Artur Maria Afonso, homem das letras e conhecido pelo cognome de "poeta mimoso" ...
a lição do condenado dá muito que pensar ...

Aconselho mesmo o blogue do flaviense Fernando Ribeiro, referido no final do post.

Fernando Reis disse...

ahhh ... e um abraço, claro!

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