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sábado, 26 de setembro de 2015

Chaves. Porque as paisagens também se atravessam

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Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...





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Excerto do poema "Atravessa Esta Paisagem o Meu Sonho" de Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'

domingo, 20 de outubro de 2013

Paisagem

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... Atento ao que eu sou e vejo, ... Sou minha própria paisagem, ... Não sei sentir-me onde estou.





Pouco mais haverá que acrescentar à perfeição que nos "bate de frente", impressa no exterior de um muro de escola, num dia particularmente cinzento onde, por mero acaso (ou talvez não), até os excertos aparentemente desconexos fazem sentido. Retenho, por motivos óbvios, a frase do meio: Sou a minha própria paisagem! Porque é isso mesmo que as paisagens sempre foram, são e serão: pedaços de cada um de nós (sendo certo que este "nós" vai muito mais além do horizonte dos humanóides).

[... mas a culpa é, quiçá, do cinzento do dia que não me permitiu ver o verde que ainda persiste em algumas folhas.]




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 F.Reis(c)2013 | Chaves, Largo da Lapa
graffiti com uma frase do poema "Não sei quantas almas tenho" de Fernando Pessoa cit. in Instituto Camões

domingo, 16 de junho de 2013

DOMINGO DE FLORES: Hispidella

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Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...


O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...



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Mantendo (pelo menos) esta manienta tradição de trazer comigo flores a acompanhar o desejo de um bom dia de Domingo (mais pelo que ele representa do que pelo que ele é realmente), desta feita um "malmequer"...


... e apostei tudo num exemplar mesmo nosso (um endemismo ibérico, para ser mais preciso) que admirei e fotografei em Águas Santas, em Vila Real: a  Hispidella hispanica Barnades ex Lam., sem nome comum (ainda) em Portugal. Aconselho o que dela dizem ESTA ou ESTA páginas.



Obviamente que as fotos são "minhas" mas o texto inicial é um excerto de um poema de outro Fernando (Pessoa, através da sua "face" Alberto Caeiro que reli AQUI) sem dúvida alguma, outro endemismo, desta feita, mundial!



Feliz Domingo!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Herói e Santo

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 Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando.
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Artur te deu.

'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver! 

 
"(…) o testemunho de vida de D. Nuno constituirá uma força de mudança em favor da justiça e da fraternidade, da promoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários e de iniciativas de partilha de bens. Será também apelo a uma cidadania exemplarmente vivida e um forte convite à dignificação da vida política como expressão de melhor humanismo ao serviço do bem comum. Os Bispos de Portugal propõem, portanto, aos homens e mulheres de hoje o exemplo da vida de Nuno Álvares Pereira, pautada pelos valores evangélicos, orientada pelo maior bem de todos, disponível para lutar pelos superiores interesses da Pátria, solícita por servir os mais desprotegidos e pobres. Assim seremos parte activa na construção de uma sociedade mais justa e fraterna que todos desejamos."




Porque hoje se celebra o dia de S. Nuno de Santa Maria (1360-1431) (Beato Nuno, Nun'Álvares, D. Nuno Álvares Pereira, Santo Condestável de Portugal, Conde de Arraiolos, de Barcelos e de Ourém), patrono dos Escuteiros (Fraternidade de Nuno Álvares e Corpo Nacional de Escutas), beatificado pelo Papa Bento XV em 23 de Janeiro de 1918 e canonizado pelo Papa Bento XVI no dia 26 de Abril de 2009. Hoje, mais do que nunca, precisamos de heróis.


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Foto: F.Reis(c)2011
Local: Vila Real
Poema: Poema de Fernando Pessoa sobre Nuno ÁLvares Pereira cit. in pensador.uol.com.br

Texto: nota pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, sobre a canonização de Nuno de Santa Maria

terça-feira, 29 de maio de 2012

INSTANTE

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[Não temos mais decerto que o instante
Em que o pensamos certo.
Não o pensemos, pois, mas o façamos
Certo sem pensamento.
]







Ricardo Reis (Het. Fernando Pessoa), in "Odes" cit. in www.citador.pt

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Nevoeiro

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Porque está um frio "de rachar" e cai sobre as montanhas que rodeiam a cidade um nevoeiro espesso, que lembra o mar ...




Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo - fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

Valete, Frates





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Foto: F.Reis(c)2012
Local: Chaves
Poema: "Nevoeiro" de Fernando Pessoa in MENSAGEM, Terceira Parte - O ENCOBERTO: III - OS TEMPOS; Quinto - NEVOEIRO (10-12-1928) cit in http://www.historia.com.pt/

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sinais

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Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?





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Foto: F.Reis(c)2011
Local: Chaves
Frase: Excerto do poema "Poema em Linha Recta" de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa, cit. in
WWW.HIPOPTUGA.ORG (aconselha-se a ouvir a interpretação deste poema pelo pacman- o rapper, curiosamente retratado igualmente - o jogo - na imagem )
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quinta-feira, 14 de julho de 2011

SOSSEGO

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Aqui onde se espera
- Sossego, só sossego -
Isso que outrora era,

Aqui onde, dormindo,
-Sossego, só sossego-
Se sente a noite vindo,

E nada importaria
-Sossego, só sossego-
Que fosse antes o dia,

Aqui, aqui estarei
-Sossego, só sossego -
Como no exílio um rei,

Gozando da ventura
- Sossego, só sossego -
De não ter a amargura

De reinar, mas guardando
- Sossego, só sossego -
O nome venerando...

Que mais quer quem descansa
- Sossego, só sossego -
Da dor e da esperança,

Que ter a negação
- Sossego, só sossego -
De todo o coração ?



Para TODOS os meus amigos!

Não resisti ao "boneco".
Ninguém resiste ao sossego.
Ainda bem que assim é!



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Foto: F.Reis(c)2011.07.12
Local: Ofir
Poema: "Aqui onde se espera" de Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro' cit. in CITADOR

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Link

sexta-feira, 8 de abril de 2011

APENAS BORBOLETAS

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Passa uma borboleta por diante de mim

E pela primeira vez no Universo eu reparo


Que as borboletas não têm cor nem movimento,

Assim como as flores não têm perfume nem cor.


A cor é que tem cor nas asas da borboleta,

No movimento da borboleta o movimento é que se move,



O perfume é que tem perfume no perfume da flor.



A borboleta é apenas borboleta


E a flor é apenas flor.


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Foto: F.Reis(c)2011
Local: Ribeira do Castelo do Mau Vizinho, Orjais, Chaves
Poema: "XL - Passa uma Borboleta" de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) cit. in LUSO-POEMAS

Nota:. nem vou arriscar a identificar a espécie de borboleta (ou traça) fotografada ... a minha praia é outra ... e até agradecia que me esclarecessem ...

Já agora, o nome do local não é uma brincadeira nem se trata de algum trocadilho - é mesmo o nome do local ligado (como muitos outros por aí espalhados) ás lendas mouriscas, com mouras encantadas e buracos recheados de tesouros ... onde existem umas formações rochosas a que dão o nome de Castelo do Mau Vizinho - um local ermo, quase inacessível e um paraíso para os pescadores, ... para o "senhor" que lá está a construir uma casa (?) ... e para os outros "senhores" que lho permitiram fazer!

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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

2011

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Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.
Devagar...
Sim, devagar...
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar...
Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima...

Talvez isso tudo...
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?

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Foto: F. Reis, 01.01.2011
Local: Vila Real - finalmente o descanso de Queenie, a coelhinha anã toy arlequim que saltita cá em casa e que me fez o favor de roer o fio do teclado ... (será um sinal?)
Texto: poema "Não: devagar" de Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa). Gostava de citar a fonte onde o colhi mas, sinceramente, não me recordo.
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domingo, 28 de novembro de 2010

DOMINGO DE FLORES: glória-da-manhã

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"(...) dizer que o dia está bom é difícil, e o dia bom, ele mesmo, passa. Temos pois que conservar o dia bom em memória florida e prolixa, e assim constelar de novas flores ou de novos astros os campos ou os céus da exterioridade vazia e passageira (...)"*





A Ipomoea purpurea L. (conhecida igualmente como corda-de-viola), é uma espécie do género Ipomoea, nativa do Mexico e da América Central.

Como todas as boas trepadeiras, esta planta tem folhas em forma de coração e galhos pilosos que se enlaçam ao redor das estruturas onde vive. As flores tem forma de trombeta, predominando o azul para púrpura ou branco, com 3 a 6 cm de diâmetro.




MANHÃS DE GLÓRIA PARA TODOS!


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Nota:. as imagens foram todas recolhidas por mim na Bendafé, num muro (última imagem) que ornamentam e mostram todo o seu potencial e esplendor e a informação foi recolhida de diversas fontes na internet.

o Pensamento, claro que só podia ser de Fernando Pessoa, sobre a "poesia" in "Livro do Desassossego" cit. in O Citador

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

À JANELA

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Entre a árvore e o vê-la
Onde está o sonho?*


Janela em Alcobaça


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* "Entre a árvore e o vê-la", poema de Fernando Pessoa (Cancioneiro - 1913 ?). Ler poema completo aqui.
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sábado, 19 de junho de 2010

SOL

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Motivo central de portão de ferro
Estação de Caminho-de-Ferro de Vila Real



AH! QUEREM uma luz melhor que
a do Sol!
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas
que vejo!
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol
que o Sol,
O que quero é prados mais prados
que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores
que estas flores -
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!




Alberto Caeiro, "Poemas Inconjuntos" in Obras Completas, Vol. I, pág. 232
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quinta-feira, 22 de abril de 2010

22 DE ABRIL - DIA DA TERRA

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Uma imagem e um poema para nos lembrar-mos que, muitas vezes, são os pormenores que fazem as coisas grandes e que é fácil ignorar o pequeno que somos perante o global que nos rodeia ...



Eu Sou do Tamanho do que Vejo

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.


Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema VII"

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terça-feira, 23 de março de 2010

VOU VENDO O QUE O RIO FAZ

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Pass(e)ante observando o Rio Tâmega do alto da Ponte de Trajano em Chaves


Já andava há muito tempo com partes deste poema aqui de baixo aos saltos na cabeça e só hoje se proporcionou a captura de uma imagem simbolicamente condigna, pelo menos para mim.

É mais uma homenagem?

Só se for ao Tâmega e aos verdadeiros tamagani (ou tamaganos).



Na ribeira deste rio
Ou na ribeira daquele
Passam meus dias a fio.
(...)

Vou vendo o que o rio faz
Quando o rio não faz nada.
Vejo os rastros que ele traz,
Numa sequência arrastada,
Do que ficou para trás.

Vou vendo e vou meditando,
Não bem no rio que passa
Mas só no que estou pensando,
Porque o bem dele é que faça
Eu não ver que vai passando.

Vou na ribeira do rio
Que está aqui ou ali,
E do seu curso me fio,
Porque, se o vi ou não vi.
Ele passa e eu confio.


Poema "Na Ribeira deste Rio" de Fernando Pessoa, em 02/10/1933



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Fonte onde "encontrei" o poema de onde omiti, propositadamente, duas pequenas frases.
Fonte para o significado de tamagani ou tamaganos.
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Nota:. foi efectuada uma correcção posteriormente. Obrigado tupamaro.

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